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Pensando Bem

João de Aquino e Martinho da Vila


PENSANDO BEM

 

Irmão

A gente não tem nem mais o que comer

Trabalho não há também pra laborar

Então o que é que a gente vai fazer

 

Mulher

Eu acho que a gente vai ter de roubar

Sair pelas ruas botar pra quebrar

De fome é que a gente não pode morrer

 

Não sei

Pensando bem acho que não vai dar

Roubar contraria as leis do Senhor

E a justiça dos homens vai nos condenar

Preceito

Toninho Geraes e Roque Ferreira


PRECEITO

 

Malungo, olha lá o Barra-vento

Que o som do aguerê vai te levar

Malungo respeita fundamento

Que o santo mandou respeitar

 

Falei não deu valor

A força do preceito lhe pegou

Falei você se embaraçou

Se é da mironga tem que ser conhecedor

 

A comida que é de santo

É pra quem sabe preparar

Sem saber mexer na coisa

Deu Dendê pra Oxalá

 

E botou comida branca no peji de Beira-Mar

Hoje em dia tá pagando

Que é pra nunca mais errar

 

Falei não deu valor

A força do preceito lhe pegou

Falei você se embaraçou

Se é da mironga tem que ser conhecedor

 

 

Tempos Depois

Wanderley Monteiro e Nelson Rufino


TEMPOS DEDOIS

 

Pra que tanto amor

Se a paixão já se esvaiu

A saudade já sumiu

O coração já acordou

 

Pra que se expor

Se o sol já se cobriu

Tempestade já caiu

O peito se desmotivou

 

A ilusão se vestiu de certeza

O tanto que quis pra nós dois

Cedeu lugar a uma dor uma tristeza

Mas com firmeza me curei tempos depois

 

O meu pranto secou estou de volta

Pronta pra outra emoção

Meu barco é forte vai singrar em outros mares

Feliz de quem na vida aprende uma lição

Velho Amigo (para o Aldir)

Paulo Cézar Pinheiro e Luiz Carlos Máximo


IRMÃOS DE SANGUE (VELHO AMIGO)

 

Meu velho amigo já de tantos anos

Meu grande irmão em todos os momentos

Teus cantos são tu sabes bem alentos

Tal como os meus pros corações humanos

 

Em cavaquinhos violões pianos

Nossa poesia segue os mesmos ventos

E um trono ocupa nos meus sentimentos

Estes teus sentimentos soberanos

 

Teus versos são pra mim vendo de longe

O vinho puro que fabrica o monge

A água podre que atravessa o mangue

 

Temos na veia o sangue dos boêmios

E o nossos versos podem não ser gêmeos

Mas com certeza são irmãos de sangue

Alma

Ratinho


Alma

 

Voce não pode cantar meu samba assim sem alma

Tem que ter calma pra poder compreender

Que o samba traz

Um sentimento

Que só com alento irás perceber

 

Que o samba não é só um momento

De tempo ao tempo

Que ele ensina pra voce

 

É negro de alma pura

Tanta candura traz o amor da raça

Da pele escura brota o seu cantar

Já lhe tentaram colocar mordaça

E fizeram tudo pra lhe derrubar

 

Mas sempre se escuta o clamor da massa

Que sem o samba não pode ficar

 

O que que o samba não fez

O que que o samba não faz

Meu samba é forte demais

 

 

Vila do Meu Coração

Luiz Carlos Máximo e Luiz Carlos da Vila


VILA DO MEU CORAÇÃO

 

Minha pedra meu livro meu ninho

Meu lápis papel pergaminho

É a bola, é a nota, é o tom, é o som

O meu chão, meu passarinho

 

Não importa Jesus de costas

Proteção já fincou na encosta

Na igreja de Nossa Senhora

Que abençoou, abençoou

 

Volta e meia Jesus de revés

Olha e pisca pros filhos fiéis

Dando as mãos e aos pés

Um talento que nos desenhou

 

Nas esquinas das curvas incertas

Minha casa de portas abertas

Ao amor que o ator desempenha

São segredos que eu tenho a senha

O meu samba é a herança de ti minha Vila da Penha

 

O Marco Polo da minha eterna Amizade

Atravessa o Caminho da Prosperidade

Velhas ruas do bom elegante Carlão

 

Papos, botecos, viola meu irmão

Banda Raízes, Largo do Bicão

Fraternidade, Justiça e Inpiração

 

Salve a Igreja da penha

A primeira que é vista no céu do Galeão

Ali para os lados da Vila do meu coração

Último Verso

Clóviz Beznos e Elton Medeiros


ÚLTIMO VERSO

 

E vem você

Última rima de um samba de amor

E posso eu

Último verso perdido sem cor

Se o tempo foi como a canção

Que se acabou

Como eu poderei cantar de novo

As coisas que trago tão dentro de mim

 

Se você

Marcou a hora e o começo do fim

E fez de mim

Um verso triste sem rima sem cor

O amanhã que vem nascendo por dentro de nós

Derramando esse frio, adeus

 

Se a lua mansa não alcança

Esse som de lhe dizer

Que tudo se acabou

 

É porque mais triste do que eu

Se despediu do olhar de quem ofereceu

Nossa solidão

E pôs-se a chorar, chuva da manhã

A manhã que encontrou o meu verso dizendo adeus

 

Conceição da Praia

Luiz Carlos Máximo


CONCEIÇÃO DA PRAIA

 

Hoje ouvi

Bater os tambores

Vi o teu nome a velejar

Senti o odor das flores

Perfumando em cores o mar

 

Na beira da praia

Na beira da praia

São tantas prendas pra te ofertar

 

Minhas oferendas vêm em poesia

Nas mãos vazias te acariciar

 

Joguei ao ar

Joguei ao ar

 

Todas as palavras que fazes retornar

Em gotas nos meus olhos

Que deixo recair no mar

Mar de Jangada

Toninho Nascimento e Evandro Lima


MAR DE JANGADA

 

Corrida de jangada, não tem linha de chegar

Corrida de jangada, não tem linha de chegar

Pode ser aqui, pode ser por lá

 

Mainha já acendeu o fogo e não para de abanar

Pedindo pra que eu chegue logo

Trazendo o que cozinhar

 

Olha que a rede tá cheia de tudo que tem pra pescar

Tem de tudo só não tem sereia

Pois ela é filha da água do mar

 

Ela é filha do mar ô, ela é filha do mar ( 4x )

 

Corrida de jangada, não tem linha de chegar

Corrida de jangada, não tem linha de chegar

Pode ser aqui, pode ser por lá

 

Eu aprendi um segredo que é pra poder voltar

Minha mão vê o rochedo antes do olho enxergar

 

Saio da praia bem cedo

Na hora em que o mundo começa a girar

Pra espantar todo medo eu rezo a reza que eu sei rezar

 

Rezo uma reza pro céu, rezo uma reza pro mar

Rezo uma reza pro céu, rezo uma reza pro mar

 

Braços de Lã

Luiz Carlos da Vila


BRAÇOS DE LÃ

 

Quero viver em ti

De noite ou de manhã

Sentindo o calor

Dos seus braços de lã

 

Encher com a poesia do meu interior

As taças da alegria num brinde ao nosso amor

 

Se és um beija-flor

Eu sou a flor que dá

O néctar de um bem

Que não se extinguirá

 

E o pássaro sou eu, então és no jardim

A eterna flor que deu legou a mim

 

Sinto amor de verdade

Abrindo-me as portas do coração

Éis a felicidade com que eu tanto sonhei

Eis um sol de alegria que afastou de mim

Toda a escuridão

Sou feliz pois morreu a solidão

Antes Assim

Wilson Moreira


ANTES ASSIM

 

Foi assim que eu encontrei um amor

Para mim

Já não sinto a dor do amor

Hoje canto sou feliz, antes assim

 

Ontem eu chorava e delirava por alguém

Hoje concluiu o que eu passava

 

Minha vida mudou e até a vivenda melhorou

Tudo de mal já passou

Antes assim

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Jardim das Oliveiras

Délcio Carvalho


{slider=Letra de Jardim das Oliveiras}

JARDIM DAS OLIVEIRAS

 

Eu juro que não me engano

Estou falando do Império Serrano

Ao falar dos bambas imortais

Do caxambu, do jongo que ainda lá se faz

 

E se eu lembrar o artista

Meu sambista, meu poeta donhador

Das baianas Deus do céu quanta emoção

Do meu samba pés no chão

 

Se eu falar em Madureira meu Senhor

Onde o samba tem melhor sabor

 

Não desfazendo das demais Escolas

Com seus poetas espalhando amor

Teu que me baila na memória

Tem o verde e branco em sua cor

 

Os "Cinco Bailes", "Aquarela Brasileira"

O "Tiradentes" a "Senhora Tentação"

Lembram os Jardins das Oliveiras

Derramando frutos pelo chão

 

Não cito nomes pra não cometer enganos

Estou falando do Imério Serrano

 


Oxum Ololá

Raimundo Santa Rosa


OXUM OLOLÁ

 

Se ela vem da mina eu não sei

Ou se é menina

Se foi a primeira eu não sei

A usar bandeira

 

Ora iê iê, ora iê iê, ora iê iê ô

Ora iê iê

 

Oxum Ololá

Dona da riqueza

Mártir de beleza

Carma de amor

Isso é Oxum...

 

Doce sentimento

Ah se eu fosse o vento

Pra ir onde você for

 

Ora iê iê, ora iê iê, ora iê iê ô

Ora iê iê